Sábado, 20.10.12

O que há num nome?

Chambel... li este nome nas notícias esta manhã no Público acerca de helicópteros e pressupostas conspirações. Voltarei a esta notícia um pouco mais abaixo mas entretanto Chambel veio-me à memória. Se lerem a minha crónica "Anjos Caídos" ali está ele bem figurado na pessoa de (confirmo agora) Clara Chambel. Fiquei curioso com a coincidência (ou não) e após algumas pesquisas no google descortinei algumas histórias que me fazem sorrir e outras que me fazem desesperar.

Descobri que por exemplo a Drª Clara Chambel sempre esteve muito próxima do (ex) Presidente Jorge Sampaio. Figura como colaboradora no livro "Portugueses - Vol VII" de Jorge Sampaio publicado em 1999, por alvará nº14/2006 é-lhe atribuída o grau de Comendador da Ordem de Cristo e recebe esta última já das mãos do então novo Presidente Cavaco Silva em 3 de Abril de 2006 e por último um louvor de Jorge Sampaio

Louvor n.º 303/2006. - No final do mandato de Presidente da República Portuguesa, louvo a licenciada Maria Clara dos Santos Chambel Dionísio pela lealdade, competência e apoio permanente demonstrados durante o exercício das suas funções de adjunta do meu Gabinete.
3 de Março de 2006. - O Presidente da República, Jorge Sampaio.

303 louvores em dois meses!!! São pelo menos 6 por dia, estranho desperdício de tempo presidencial. E este último faz-me sorrir pois Cavaco Silva tomou posse na semana seguinte, e vem-me a imagem do Sampaio em Belém a seguir ao jantar a pensar "Hmmm quem falta na minha lista de amigos? A Clara já leva uma Comenda mas ainda posso fazer alguma coisa à última da hora... já sei... um louvor! Só mais um e chega de vício." Depois fechou as malas e entregou as chaves do Palácio ao porteiro, antes de partir para o fim de semana.

Igualmente fascinante nestes episódios é a distribuição de benesses que a República dá através do seu mais alto representante. Na lista de condecorados da Ordem Militar de Santiago da Espada do Alvará da Presidência nº1-2006, todos sem exceção são "Professores Doutores", o que é sem dúvida descritivo desta República onde a igualdade é acima de tudo Orwelliana e é demonstrativo que os serviços prestados por colaboradores louváveis, são totalmente alheios à Democracia. É o ao Serviço da Nação dos tempos da Ditadura quem ainda "mais ordena".

Voltemos aos helicópteros... a notícia tem a ver com o contrato de manutenção, portanto os montantes em discussão são irrisórios, comparados com a aquisição dos mesmos a qual data já uns anos e seria da responsabilidade do Ministro da Defesa da altura (não, não há prémio para quem adivinhar o nome! mas o apelido está intimamente relacionado e propositado com um ás da aviação nacional). O quinhão maior já assim foi distribuido, mas agora em casa onde não há pão... Esta notícia soa a "pura" encomenda ao jornal o Público pela(s) companhia(s) que estará(ão) em competição com aquela em que o nome Chambel soa agora a incesto institucional. Como é costumeiro na imprensa a soldo, a notícia é omissa em relação às companhias concorrentes e mais ainda aos nomes e apelidos que farão parte dos quadros diretivos das mesmas (Cavacos, Loureiros, Coelhos, Relvas, Sacaduras Cabral... etc.). Mesmo que o caderno de encargos do Chambel Jr. seja o melhor, a pressão para não lhe ser adjudicado pelo Chambel Sr. está agora "desmascarada". Assim terá de ir para "os outros"... corrijo... os mesmos.
publicado por Paulo Ferreira às 00:47 | ligação do post | comentar | ver comentários (1)
Quinta-feira, 18.10.12

Cego, surdo, mudo

UM RETRATO DO PODER: GOZO, PREOCUPAÇÃO, AMBIÇÃO
O Paulo (de Sacadura Cabral) Portas falou... e não disse nada qual oráculo inútil. Ficou ali agarradinho ao poder, invocando princípios de generais gastos latino-americanos com o argumento de uma presumível Salvação Nacional. Ontem pedia-se que desse um murro na mesa e gritasse "Basta!". Mas o menino é demasiado bem educado, murros? na mesa? não! mais carícias no braço da poltrona... o poltrão.

Os pobres

Chegam nus, chegam famintos
À grade dos nossos olhos.
Expulsos da tempestade de fogo
Vêm de qualquer parte do mundo,
Ancoram na nossa inércia.

Precisam de olhos novos, de outras mãos,
Precisam de arados e sapatos,
De lanternas e bandas de música,
Da visão do licorne
E da comunidade com Jesus.

Os pobres nus e famintos
Nós os fizemos assim.

Murilo Mendes
(1901-1975) 

publicado por Paulo Ferreira às 14:42 | ligação do post | comentar

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